A revista MIOLO nasce da vontade de estudantes, docentes da Escola de Belas de Belas Artes/UFBA e artistas de Salvador de produzir  uma publicação periódica. Assim, cada volume é resultado de uma série de experiências coletivas, orientadas por professores, artistas e designers locais. Dessas vivência surgem as bases estéticas-conceituais de um projeto gráfico que se transforma a cada nova edição, de acordo com as técnicas, o recorte curatorial e as pessoas envolvidas neste encontro maravilhoso.

O projeto gráfico deste volume surge em paralelo à diagramação. Um planejamento flexível que nos permite materializar o conceito de cada trabalho levando em consideração a estrutura da revista, da página e seus espaços em branco. Fotografias e poesias visuais foram inseridas, junto ao conteúdo textual no corpo da revista, de modo a construir uma relação não hierárquica. Tais estratégias consistem em um conjunto de conceitos operatórios que fazem da MIOLO uma publicação na qual seus elementos — formais quantos estruturais — são recursos estéticos/poéticos, que geram ruídos na malha da revista, emprestando, assim, singularidade a cada exemplar produzido por meio de interferências manuais e técnicas artesanais de impressão.

A revista se estrutura a partir de quatro seções intercambiáveis: Entrevista, Perfil, Respiro e Ensaio. A proposta, apresentada por Laura Castro para este volume, nos revelou que a seção de entrevistas poderia ser um espaço promissor para a realização de exercícios de linguagem e forma. Tiramos proveito da polissemia da palavra ensaio, para agrupar tanto conjuntos de imagens fotográficas organizadas em torno de um conceito, quanto textos de opinião, baseado em referências, sobre um assunto específico. Os respiros, por sua vez, possuem a função de intermezzo; são obras colocadas entre outras obras que cumprem um papel organizacional dentro da estrutura da revista, ao mesmo tempo que funcionam como intervalos que propõem alterações no ritmo de leitura. O sumário, cartografado por Maria Carolina Barbosa, representa graficamente a distribuição dessas partes no corpo da publicação.

Compreendemos a prática editorial como experiência de ensino-aprendizagem. Através da elaboração de vivências, procuramos experimentar as técnicas gráficas incorporadas ao projeto da revista, abrindo, deste modo, clareiras para que as estudantes cultivassem suas poéticas além do espaço da publicação. São frutos destes processos a exposição Respiros Poéticos, de Zulmira Correia — orientada por Laura Castro e Evandro Sybine —, e os perfis de Gabriela Correia compostos, respectivamente, a partir de uma visita a uma antiga tipografia no centro histórico da cidade e através de saídas fotográficas com poetas que colaboraram com o projeto desde os momentos iniciais. Nos vídeos abaixo podem ser vistos pequenos fragmentos das vivências realizadas.

Pague com PagSeguro - é rápido, grátis e seguro!