Música das esferas

 

A “música das esferas”, também chamada pelos antigos sábios medievais de MUSICA MUNDANA, é o movimento dos astros celestes (os “mundos”) e suas relações numéricas proporcionais. As relações dos movimentos dos corpos celestes observados revela proporções muito similares (e mesmo idênticas) às proporções dos intervalos musicais.

Reflexo da música dos mundos, a MUSICA HUMANA revela os ritmos do nosso corpo, do nosso metabolismo, das nossas emoções. Entre a música do cosmo e a música do corpo, vivemos a tarefa de encontrar a música do mundo que nos rodeia, do nosso planeta. A bênção latina URBI et ORBI, usada pelos papas católicos, significa: a cidade e o mundo. O mundo­ da­ vida, para a fenomenologia, ou o AYE para a cultura yorubá, está em contato direto com o mundo do além, o desconhecido incorporal, o ORUN.

EXU, o elemento para onde converge a espiral no canto esquerdo da página, é o orixá que liga os mundos, o AYE ao ORUN. Curiosamente, em yorubá, o nome do orixá Exu (Èxù) significa “esfera” e uma de suas qualidades é Exu Bará, o senhor do corpo! LAAROYE!

Além dessa teia simbólica, esta partitura, é uma homenagem ao Treatise, a pioneira obra de notação gráfica do compositor inglês Cornelius Cardew. Alguns signos visuais imitam deliberadamente o estilo de Cardew (como as grandes esferas que tematizam a partitura).

A partitura pode ser rotacionada e lida em qualquer direção. Como é de se esperar, há muitos elementos subjetivos que podem ser interpretados de diversas maneiras. As referências vão de pseudo­neumas (imitações gráficas da escrita musical medieval européia, na pauta de três linhas, centro abaixo) a uma espiral microtonal de acidentes musicais (canto superior direito).

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