Tuiuti

Se moviam pacientemente, como fazem as notas mais graves, por mais que a gente olhasse, era muito difícil perceber que partiam. Parecia mesmo era que eles sempre estiveram ali – inertes. Porém, no fim do dia, quando finalmente em sua vagarosa movência, deixavam a Baía, daquele grupo de paquidérmicos seres marinhos, só restavam as memórias e a música lenta de sua partida.

 

Fruto da percepção do ritmo intrínseco na rotina dos barcos que atravessam as horas na Baía de Todos os Santos e que fazem parte da rotina das janelas na rua Tuiuti, centro de Salvador/BA. Graficamente, segue uma ideia mais próxima de uma partitura tradicional onde os sons são escritos por notas que se sucedem em linhas e espaços. Contudo, nesta peça, os barcos maiores representam os sons graves e os menores os sons agudos, enquanto o tamanho de cada embarcação determina os tempos nos quais as notas devem ser tocadas.

N.E

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